Aspirante a mulher,ainda que nem sempre certa do que isso é

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Dez 11

 

 Querido Pai Natal,

 

 

Nem sei se és querido,mas todos te tratam assim e eu também o irei fazer. Nunca te pedi nada,talvez por isso não te importes de,pelo menos, ler.

Este ano não sei como me portei. Eu pensava que até me portava mais ou menos, mas tornou-se claro que não é assim. Ou,se me portei, não foi o suficiente, ou decidiram castigar-me por alguma razão. Talvez as coisas sejam mesmo assim, mas prefiro nem pensar.

Abdiquei do jornalismo. O curso que queria não me quis, mas não posso falar nisso. Ao que parece, dois ou três meses tinham que apagar um sonho de miúda e dois anos de trabalho. Ainda que faça coisas na área, não me parece que me venham a deixar fazer profissionalmente. Mas,pelo menos, deixaram-me em comunicação, com alguma criatividade. Pelo menos. 

Pelo menos também ficaram pra trás anos em que era gozada todos os dias, as pessoas e os sitios a que não quero voltar tão cedo. E, por isso,não há nostalgia ao relembrar isso. Apenas a paz de me ter libertado disso.

Sabes bem que não gosto desta época. Comprar uma série de prendas só porque se é obrigado e não porque se quer dar é-me estranho. A família é pequena e, desde que não haja problemas como volta e meia há,está bem. Talvez um dia que seja maior, isto volte a fazer sentido, se alguma vez o fez.

Por isso,não te peço, nem a ninguém, que me comprem coisas. Peço antes aquilo que não dás,que não ficou mais fácil com o tempo, e que sei que não vou ter. Mas insisto em pedir porque tudo o resto não passa de treta, de coisas.

Antes de mais nada, quero os dois homens mais importantes mais perto. Ás vezes parece que embirro de propósito para os afastar,mas a coisa que mais me custa é vê-los partir. Por isso, dá-me folga de o fazer. Eles nem sempre se portam bem, mas não tem mal. Só os quero mais perto,mais vezes.

Também gostava que as pessoas continuassem a entender-me como sou. Ao fim de tantos anos a implicarem comigo por tudo e por nada, é bom poder estar mais à vontade,sem pensar que me vão gozar por cada vez que abro a boca.

Se não estiver a exagerar, faz com que compreendam mais que,muitas vezes, não faço nem digo coisas por mal. Nem quero magoar. Por vezes é a verdade, por outras a revolta,por outras a minha tendência para o desastre. Não sou, de facto, tão má como sempre me pintaram.Mas também não aguento ter culpas injustamente.E o facto de alguns entenderem isso, faz com que ache que os restantes podem também entender. Estou errada?  

 

Se nada disto puderes fazer, deixa lá. Ao menos,não me tires mais nada.

 

publicado por a_women_to_be às 22:26

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